"Jovens do Movimento estudantil de Mossoró recebem visita de representante da Une", é o título da reportagem realizada pelo Portal TCM, em entrevista com o companheiro Patrick Campos Araujo, diretor de Assistência Estudantil pela Reconquistar a UNE (Campo Popular) realizada em sua visita ao campus da UFERSA.
Confira abaixo a matéria:
A Articulação de Esquerda (AE) é uma tendência interna do Partido dos Trabalhadores. Existe para a defesa de um PT de luta, de massa, democrático, socialista e revolucionário. Nossas posições políticas e programáticas estão expostas nas resoluções das conferências e seminários nacionais que realizamos desde 1993.
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Muito debate em Mossoró
Patrick Campos Araújo, membro da direção nacional da Juventude da Articulação de Esquerda – PT e Diretor de Assistência Estudantil da União Nacional dxs Estudantes (UNE), viajou nesta segunda-feira a Mossoró para uma agenda de atividades partidárias e também estudantis.
Sua vinda ao RN e a Mossoró veio no intuito de articular a nova militância de Mossoró da Articulação de Esquerda, tendência do Partido dxs Trabalhadorxs. Foram reunidas pessoas do movimento estudantil ufersiano, bem como representantes do mandato do Vereador Luiz Carlos, que discutiram a construção histórica do partido e da tendência, além de discutir as orientações militantes sobre a análise de conjuntura do coletivo para o ano de 2014.
O debate foi frutífero e lançaram perspectivas sobre a necessidade de se aprofundar os estudos sobre a conjuntura do Partido e do Governo, ante as questões postas para ao longo do ano. A articulação com a tendência de maneira mais orgânica é fundamental para se identificarem os espaços a disputar e como fazê-los, dentro e fora do partido. As afinidades políticas foram estreitadas e a proposta de discutir o PT e a sociedade foram um convite aberto a participação mais efetiva da militância.
Ademais, o Diretório Central dxs Estudantes aproveitou sua presença e promoveu um debate junto à base sobre a política de assistência estudantil pensada pela UNE para o ano de 2014, além de discutir a conjuntura política do movimento e quais os apontamentos para a atuação das entidades junto a Universidade.
Houve ainda a tentativa de articulação com a Pro Reitoria de Assuntos Estudantis, mas devido à incompatibilidade de agendas, não foi possível.
As políticas de assistência são tópico extremamente sensível para a realidade da Ufersa, bem como a de todas as demais IES do país, pois o aumento de vagas e as políticas de ação afirmativa demandam mais estrutura e políticas públicas.
Não basta ingressar na Universidade, há que se criar condições adequadas para a permanência dessa população dentro dos cursos. A demanda por políticas permanentes, como Restaurantes Universitários, Residências Acadêmicas e Creches é pungente, como são, também, as bolsas dos mais variados caráteres.
A necessidade de se aproximarem as duas linhas de assistência estudantil é nítida. Há muito ainda que se investir em bolsas, mas sem perder de vista estruturas mínimas de acomodação dxs estudantes na Universidade. Entendemos que para, além disso, a necessidade de acompanhamento pedagógico deve ser intensificada, para contribuir com a permanência do estudante nas graduações.
A capilarização da UNE trazendo o debate da Assistência Estudantil é crucial para a realidade dx estudante Ufersiano, uma vez que temos uma instituição em expansão, contando atualmente com quatro campi, que demanda um cuidado extremo com essa pauta. A instalação dos Restaurantes Universitários, das novas residências, quer seja no campus de Mossoró ou nos demais, carece de olhar próximo de todo o Movimento Estudantil. A luta por melhores condições nas IES brasileiras sempre foi protagonizada pela militância estudantil, logo, a articulação estabelecida com a nossa maior entidade representativa dá um novo ar à bandeiras tão antigas.
Rayane Andrade – militante da Articulação de Esquerda, tendência interna do Partido dos Trabalhadores, coordenação executiva do DCE/Ufersa – gestão movimente-se 2013/2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Pelo fim dos atrasos no pagamento das bolsas e auxílios
*Patrick Campos Araújo
A concepção da Assistência Estudantil tem como um dos seus princípios
que: é preciso garantir a permanência das/os estudantes na Universidade, em
condições de desempenhar suas atividades acadêmicas e extra acadêmicas, por
meio dos subsídios necessários para garantir a equidade de condições àqueles
que estão vivendo das mais diversas formas e situações, a condição de
estudantes.
Com a expansão do ensino superior que
vem ocorrendo ao longo dos últimos dez anos, a demanda por instrumentos de
permanência cresceu exponencialmente. Afinal, diferente dos anos noventa,
período de maior ofensiva neoliberal na educação brasileira, a primeira década
dos anos dois mil ficou marcada como aquela em que mais estudantes ingressaram
no ensino superior em toda a história do país.
Temos caminhado na democratização do
acesso ao ensino superior, seja pela ampliação e construção de novas
Universidades e Institutos Federais, seja pela oferta de bolsas e outros
incentivos no ensino privado. Esta situação impõe o desafio de superar os
velhos problemas do acesso, pondo fim a concepção de Universidade como espaço
privilegiado dos ricos, mas enfrentando as contradições da lógica da educação
como mercadoria.
A opção feita pelo governo de garantir
o crescimento e ampliação das vagas tanto do setor público como do privado, tem
impacto direto nas condições de manutenção destes novos ingressantes nas
instituições. Obvio que inverter o sistema construído por anos de esvaziamento
das instituições de ensino superior públicas, por meio do sucateamento e da
privatização, é tarefa árdua. Retomar e ampliar os investimentos na criação de
novas vagas é determinante, inclusive para o desenvolvimento do País. Mas
não podemos secundarizar a importância das políticas que possibilitam a
permanência destes novos sujeitos nas Universidades.
Por esta razão, não podemos admitir que
aquela que se constitui na política mais importante do ponto de vista da
manutenção estudantil esteja sendo mitigada quando inúmeras bolsas e auxílios
estão tendo atrasos que têm chegado a quase um mês.
Esta situação tem se repetido ao longo
de todo o segundo semestre de 2013. Atrasos no pagamento das bolsas e auxílios
ofertados pelas duas matrizes de financiamento da Assistência Estudantil, tanto
pelo PNAES (Programa Nacional de Assistência Estudantil) quanto pelo recém
criado Programa de Bolsa Permanência. Questionamos as razões dos atrasos pois,
apenas do PNAES para 2013, têm-se um orçamento que gira em torno dos R$ 640
milhões de reais.
Atrasar o pagamento dos programas de
assistência estudantil é algo injustificável. Estamos falando de uma política
que não pode sofrer contingenciamento de seus recursos, pois é a responsável
pela subsistência e sobrevivência de milhares de estudantes que necessitam
deles para morar, se alimentar, se deslocar e etc. Ou seja, o atraso no
pagamento destas bolsas e auxílios impede que seus beneficiários exerçam
qualquer tipo de atividade por períodos que passam de semanas.
É uma situação que caminha na contramão
de toda a lógica da concepção de assistência estudantil, pois compromete a
subsistência das/os estudantes. Em reunião com representantes do Ministério da
Educação no dia 18 de Dezembro, a UNE exigiu a solução imediata dos problemas.
Expusemos a realidade de inúmeros estudantes que estão sofrendo com o não
pagamento das bolsas e auxílios, bem como daquelas/es que enfrentam a
burocracia construída para ter acesso aos programas, como é o caso dos povos
indígenas e quilombolas.
Avaliamos ser uma boa noticia que o
orçamento do PNAES apresentado para 2014 já supere os R$ 700 milhões, ou seja,
siga crescendo, todavia
num ritmo que ainda não dá conta das demandas e necessidades reais de moradia
e alimentação, portanto, ele não apenas pode como deve ser
muito maior. Também acreditamos que se a ampliação dos investimentos não vier
acompanhada de um aperfeiçoamento nos mecanismos de
pagamento, os programas deixarão de cumprir seus objetivos.
Defendemos que não se pode manter o
sistema de loteamento no pagamento das bolsas e auxílios, deixando que os
recursos saiam em conta gotas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação), sob contingenciamento, deixando as Universidades reféns de um
calendário que não se cumpre. Isto, além de acarretar no atraso direto, tem
criado situações onde a própria Universidade aplica os recursos que aos poucos
vão chegando, em outras áreas, deixando as políticas de Assistência Estudantil
secundarizadas. Ou seja, em ambos os casos, são os estudantes que pagam a
conta.
Para que as políticas
de assistência estudantil sejam implementadas de maneira mais eficaz
e com maior centralidade, avaliamos a importância de se criar um
Fundo Nacional de Assistência Estudantil, bem como a ideia de se constituir uma
Secretaria Nacional de Assistência Estudantil vinculada ao MEC.
Orientamos todas as
UEEs, DCEs e demais entidades estudantis gerais e de base a somarem forças
nesta luta. A pressão exercida sobre o MEC tem resultados, mas não
resolverá aqueles problemas que existem de forma específica em cada IES.
Precisamos constituir uma rede que acompanhe, monitore e garanta que os
recursos de todos os programas de assistência tenham sua destinação final nos
estudantes e em tempo hábil.
Para tanto, é fundamental a criação de
espaços como Câmaras, Conselhos e Fóruns permanentes de Assistência Estudantil
que além de acompanhar, os estudantes tenham a capacidade de incidir na
formulação das políticas e no planejamento orçamentário das IES.
Como tarefa para o próximo período,
temos a construção de um Seminário Nacional de Assistência Estudantil da UNE,
espaço que servirá para aprofundarmos as discussões e definirmos coletivamente
as bandeiras de luta que serão levantadas em 2014; travar o debate sobre os
rumos que a Assistência Estudantil tem tomado; bem como suas várias concepções
e formas de expressão em todo o país.
* 1º Diretor de Assistência Estudantil da União Nacional dos Estudantes
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
Oposição petista de volta a UBES
De 28 a 30 de novembro, nas cidades de Contagem e Belo Horizonte, em Minas Gerais, ocorreu o 40º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Com cerca de quatro mil participantes, entre delegados e observadores. Mesmo sendo um dos maiores realizados ao longo dos últimos anos, o congresso esteve muito aquém das expectativas. Afinal, após a extinção das etapas estaduais, o chamado funil, no último Conselho Nacional de Entidades Gerais e o anuncio de mais de 12 mil estudantes inscritos, a realidade demonstrou que o potencial real de mobilização da entidade está extremamente rebaixado.
Apesar da programação definida e divulgada para três dias, a direção da entidade a modificou no primeiro dia, reduzindo todo o espaço para apenas dois dias e alterando o conteúdo. As modificações e a realização dos debates apenas em um dia foram extremamente prejudiciais. Os estudantes que viajaram dias para chegar até o congresso foram violentamente desrespeitados pela atitude da direção, que demonstrou sua total falta de compromisso com o debate de ideias e com o exercício democrático.
Foram nestas circunstâncias que as delegadas e os delegados credenciados tiveram que decidir os rumos da UBES para os próximos dois anos.
Reconquistar a UBES – Há dois congressos que a Articulação de Esquerda não participava do ConUBES, fato que dificultou a intervenção nacionalizada no movimento estudantil secundarista no período de 2009 a 2013. Todavia, a decisão de retomar esta organização a partir desta edição nos revelou o grande potencial que tem as formulações de educação e de juventude construídas por tanto tempo neste setor dos estudantes.
Com a tese de oposição “Reconquistar a UBES”, chegamos ao ConUBES com mais de 80 estudantes de escolas públicas e privadas, Intitutos Federais e cursos técnicos, entre esses, 27 delegadas e delegados. Todos com a tarefa de construir coletivamente a intervenção política que faríamos.
Esta construção resultou na formulação de três resoluções, sendo estas de educação, conjuntura e movimento estudantil. Todas elaboradas inteiramente pelos estudantes secundaristas que se dispuseram a assumir a responsabilidade. E, para além de apenas escrever, as companheiras e os companheiros defenderam com afinco para todo o Congresso as resoluções assinadas apenas pela Reconquistar a UBES, bem como a resolução de movimento estudantil que recebeu apoio do Movimento Mudança e da Esquerda Popular e Socialista.
A grande expectativa deste congresso era a construção de uma chapa petista que pautasse a democratização da UBES. A construção desta chapa não apenas era necessária como fundamental, tanto para unificar a juventude do PT, como para dar uma resposta petista a todos os estudantes insatisfeitos com os rumos que a entidade vem tomando, nos últimos 20 anos, sendo dirigida pela UJS/PCdoB. A consolidação de uma oposição petista era uma vontade da militância que infelizmente foi reprimida pela lógica da disputa ‘carguista’ tão priorizada pelas direções das forças que compõe a entidade.
Perdemos uma oportunidade histórica de unificar a JPT no movimento secundarista e recolocar a juventude do PT como uma alternativa real de direção para a UBES. Se nossos companheiros de partido não priorizarem a construção política e o diálogo com a militância, a tendência é a Juventude do PT no movimento estudantil ficar cada vez mais encastela nas asas daqueles que hoje hegemonizam a entidade.
Nós, que construímos a tese Reconquistar a UBES, que preferimos uma boa disputa ao um mau acordo, acreditamos que o movimento estudantil assim como suas entidades não podem ser conduzidos como uma mesa de negócios. Nisso, mostramos que temos política para construir na entidade e, com sangue puro, defendemos a nossa tese, pautando uma UBES democrática e combativa, que esteja à altura dos desafios colocados na sociedade e na educação brasileira, como a democratização dos meios de comunicação, a reforma política, a aprovação do Plano Nacional de Educação e a Reforma no Ensino Médio.
De volta à UBES – O resultado do esforço feito se traduziu de diversas maneiras. A votação obtida já seria uma demonstração do acerto político nas definições para o Congresso. Foram 36 votos para a Chapa Reconquistar a UBES, votação que nos coloca na Direção Nacional da UBES. Um resultado alcançado pelo voto daqueles e daquelas que estiveram conosco todo o tempo e também pela aprovação de estudantes que escutaram o que dissemos, leram o que escrevemos e concordaram com o que apresentamos.
Estamos de volta à direção da UBES, defendendo a democratização da entidade; a retomada do seu protagonismo nas lutas dos estudantes secundaristas; a sua presença real na organização dos grêmios, das entidades municipais e estaduais; e no trabalho de base que instrumentalize os estudantes no combate a todas as formas de opressão.
Voltar à direção da UBES é uma vitória que comemoramos muito, pois temos certeza do quanto podemos contribuir com a transformação dos rumos da entidade. Esta conquista é de todos e todas estudantes que ousaram estar defendendo aquilo que acreditamos. Daqueles que sonham e acreditam que é possível mudar a realidade, de transformar sua escola, de revolucionar o modelo de educação e de construir uma outra sociedade. É esta ousadia que nos impulsiona, pois sabemos que o ConUBES foi apenas um primeiro passo. Agora vamos ocupar as escolas e construir uma UBES cada vez mais forte, mais próxima dos estudantes, combativa e de luta.
Por:
*Adriele Manjabosco é vice-presidenta da UNE
*Patrick Araújo é diretor de assistência estudantil da UNE
Apesar da programação definida e divulgada para três dias, a direção da entidade a modificou no primeiro dia, reduzindo todo o espaço para apenas dois dias e alterando o conteúdo. As modificações e a realização dos debates apenas em um dia foram extremamente prejudiciais. Os estudantes que viajaram dias para chegar até o congresso foram violentamente desrespeitados pela atitude da direção, que demonstrou sua total falta de compromisso com o debate de ideias e com o exercício democrático.
Foram nestas circunstâncias que as delegadas e os delegados credenciados tiveram que decidir os rumos da UBES para os próximos dois anos.
Reconquistar a UBES – Há dois congressos que a Articulação de Esquerda não participava do ConUBES, fato que dificultou a intervenção nacionalizada no movimento estudantil secundarista no período de 2009 a 2013. Todavia, a decisão de retomar esta organização a partir desta edição nos revelou o grande potencial que tem as formulações de educação e de juventude construídas por tanto tempo neste setor dos estudantes.
Com a tese de oposição “Reconquistar a UBES”, chegamos ao ConUBES com mais de 80 estudantes de escolas públicas e privadas, Intitutos Federais e cursos técnicos, entre esses, 27 delegadas e delegados. Todos com a tarefa de construir coletivamente a intervenção política que faríamos.
Esta construção resultou na formulação de três resoluções, sendo estas de educação, conjuntura e movimento estudantil. Todas elaboradas inteiramente pelos estudantes secundaristas que se dispuseram a assumir a responsabilidade. E, para além de apenas escrever, as companheiras e os companheiros defenderam com afinco para todo o Congresso as resoluções assinadas apenas pela Reconquistar a UBES, bem como a resolução de movimento estudantil que recebeu apoio do Movimento Mudança e da Esquerda Popular e Socialista.
A grande expectativa deste congresso era a construção de uma chapa petista que pautasse a democratização da UBES. A construção desta chapa não apenas era necessária como fundamental, tanto para unificar a juventude do PT, como para dar uma resposta petista a todos os estudantes insatisfeitos com os rumos que a entidade vem tomando, nos últimos 20 anos, sendo dirigida pela UJS/PCdoB. A consolidação de uma oposição petista era uma vontade da militância que infelizmente foi reprimida pela lógica da disputa ‘carguista’ tão priorizada pelas direções das forças que compõe a entidade.
Perdemos uma oportunidade histórica de unificar a JPT no movimento secundarista e recolocar a juventude do PT como uma alternativa real de direção para a UBES. Se nossos companheiros de partido não priorizarem a construção política e o diálogo com a militância, a tendência é a Juventude do PT no movimento estudantil ficar cada vez mais encastela nas asas daqueles que hoje hegemonizam a entidade.
Nós, que construímos a tese Reconquistar a UBES, que preferimos uma boa disputa ao um mau acordo, acreditamos que o movimento estudantil assim como suas entidades não podem ser conduzidos como uma mesa de negócios. Nisso, mostramos que temos política para construir na entidade e, com sangue puro, defendemos a nossa tese, pautando uma UBES democrática e combativa, que esteja à altura dos desafios colocados na sociedade e na educação brasileira, como a democratização dos meios de comunicação, a reforma política, a aprovação do Plano Nacional de Educação e a Reforma no Ensino Médio.
De volta à UBES – O resultado do esforço feito se traduziu de diversas maneiras. A votação obtida já seria uma demonstração do acerto político nas definições para o Congresso. Foram 36 votos para a Chapa Reconquistar a UBES, votação que nos coloca na Direção Nacional da UBES. Um resultado alcançado pelo voto daqueles e daquelas que estiveram conosco todo o tempo e também pela aprovação de estudantes que escutaram o que dissemos, leram o que escrevemos e concordaram com o que apresentamos.
Estamos de volta à direção da UBES, defendendo a democratização da entidade; a retomada do seu protagonismo nas lutas dos estudantes secundaristas; a sua presença real na organização dos grêmios, das entidades municipais e estaduais; e no trabalho de base que instrumentalize os estudantes no combate a todas as formas de opressão.
Voltar à direção da UBES é uma vitória que comemoramos muito, pois temos certeza do quanto podemos contribuir com a transformação dos rumos da entidade. Esta conquista é de todos e todas estudantes que ousaram estar defendendo aquilo que acreditamos. Daqueles que sonham e acreditam que é possível mudar a realidade, de transformar sua escola, de revolucionar o modelo de educação e de construir uma outra sociedade. É esta ousadia que nos impulsiona, pois sabemos que o ConUBES foi apenas um primeiro passo. Agora vamos ocupar as escolas e construir uma UBES cada vez mais forte, mais próxima dos estudantes, combativa e de luta.
Por:
*Adriele Manjabosco é vice-presidenta da UNE
*Patrick Araújo é diretor de assistência estudantil da UNE
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
“ENUDS”: Espaço de Auto-organização e Acúmulo político para o Movimento Estudantil LGBT
O Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual (ENUDS) realizado desde 2003, na cidade de Belo Horizonte, resultante de uma articulação do Movimento LGBT no congresso da UNE realizado em Goiânia no mesmo ano. Nesse ano em sua décima primeira edição e acontecerá na cidade de Matinhos/PR, se insere em um contexto de acentuação da barbárie, coisificação das pessoas e de violação dos Direitos Humanos. Com o intuito de levar o debate no interior do Movimento Estudantil e às Universidades a discussão de gênero, diversidade sexual, bem como fortalecer os grupos e coletivos que se articulam em torno da militância do Movimento Estudantil e dos Direitos Humanos LGBT e se constituir como espaço de discussão política e de organização.
Podemos apontar o que e para que se constitui o ENUDS nesse sentido é em primeiro lugar de auto-organização do Movimento LGBT no contexto da Universidade Brasileira, em segundo lugar é um espaço de formação e acúmulo político bem como de construção de uma nova cultura política e de novas relações sociais de equidade, como práticas políticas de visibilidade para a diversidade sexual no interior da universidade, de empoderamento dos grupos, coletivos, sujeitos políticos e de acúmulo teórico para uma possível materialização de superação do machismo e da heteronormatividade.
São inúmeros os desafios para o Movimento LGBT, sobretudo no último período que as lutas pelos direitos sociais e de visibilidade no mundo e no Brasil não é diferente, por exemplo, a centralidade na luta pela aprovação do PL 122/06, entre outras pautas de extrema importância para o movimento.
Vale lembrar tantas/os lutadores/as dos Direitos LGBT, de Stonewal ao Movimento pró-saia, nesse ENUDS nos lembremos de Lucas Fortuna, militante do Movimento LGBT que foi brutalmente assassinado, assim como todos os dias no Brasil e no mundo os direitos humanos da população LGBT são violados, é momento de ocuparmos os espaços possíveis e também os ditos impossíveis para transformá-lo. É preciso extirpar as forças conservadoras e homofóbicas das instituições para avançar nas conquistas de direitos, e isso só ocorrerá com muita organização para pressionarmos pela aprovação do PL 122/06, pela constituição de uma Comissão de Direitos Humanos que respeite e que possibilite avançar nos Direitos LGBT e pressionar o Governo Dilma para a ampliação de Direitos Sociais.
Outro desafio que se pode apontar se trata de analisar endogenamente esse espaço e sua relação com o Movimento Estudantil Geral, daí podemos desconstruir a relação do Movimento LGBT para estritamente ao Movimento LGBT, pois a luta pela ampliação de Direitos Sociais não passa apenas pelas lutas coorporativas, mas de convencer os/as demais companheiros do Movimento Estudantil que a luta se fortalecerá a partir do momento que o ME Geral somar forças nessa luta com o Movimento Estudantil LGBT. Além disso, é preciso retomar o debate para dentro do próprio ME nas Universidades como, por exemplo, do projeto “Universidade Fora do Armário” organizado pela UNE, é preciso que a UNE retome essa discussão e fortaleça a luta pelos Direitos LGBT em conjunto com os coletivos e grupos nas Universidades retomar a organização do “Universidade Fora do Armário”.
Nesse sentido, é preciso fortalecer o espaço do ENUDS como político, de acumulo de forças para a construção de uma nova cultura política, para superação dessa sociedade machista, heteronormativa e homofóbica, esse é um espaço revolucionário, de auto-organização e de fortalecimento da luta LGBT e, sobretudo do Movimento Estudantil LGBT. É hora de demarcarmos a existência do ME LGBT e pintar as Universidades com o arco-íris!
Thiago Oliveira Rodrigues, estudante de Serviço Social da UFMT, Diretor de Movimentos Sociais da UEE/MT e militante da Tese Reconquistar a UNE.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Hegemonia partidária na direção da UNE está na corda bamba
Apesar de mais de duas décadas de domínio absoluto, PCdoB vem, ao longo do tempo, perdendo representatividade na União Nacional dos Estudantes, que tem sido alvo de constantes críticas
![]() |
| "A entidade não pertence, nem é comandada por nenhum partido e, sim, pelo conjunto dos estudantes universitários brasileiros", afirma a presidente da UNE, Virgínia Barros |
O PCdoB pode não ser o maior partido de esquerda no Brasil, mas dirige desde 1991 a principal entidade estudantil do Brasil, a União Nacional dos Estudantes (UNE). A pernambucana Virginia Barros, 27 anos, eleita em junho para a Presidência da UNE para o período de 2013 a 215, é a 10ª presidente consecutiva da entidade filiada ao PCdoB. Desde 1979, quando a UNE saiu da ilegalidade em que foi colocada pelo regime militar, o partido só não esteve no mais alto posto da organização estudantil entre 1987 e 1991, período em que foi comandada pelo PT. De lá para cá são mais de duas décadas de hegemonia absoluta.
Tanto tempo no poder não é sinônimo de unanimidade dentro do movimento estudantil. Pelo contrário. A UNE tem sido alvo de críticas constantes de juventudes partidárias das mais diversas correntes, da esquerda radical aos liberais. Até mesmo dentro do PT, segunda maior força no movimento estudantil, não faltam reclamações contra a gestão comunista.
A oposição ao campo que hoje dirige a UNE vem ganhando espaço nas últimas disputas e por pouco não conquistou na eleição de junho o segundo cargo mais importante na hierarquia da entidade, a tesouraria. O apoio ao PCdoB na entidade estudantil também caiu em relação à disputa anterior. Na eleição deste ano Virgínia Barros conquistou 68,3% dos votos dos delegados, proporção menor em relação a 2011, quando o também comunista Daniel Iliescu teve quase 76% de aprovação.
Um dos principais problemas apontados é a falta de democracia na gestão da entidade e o processo eleitoral. As eleições são feitas de maneira indireta. Os diretórios estudantis das universidades organizam as eleições para a escolha dos delegados, na proporção de um para cada mil votos, que terão direito a escolher a direção durante congresso.
“O modelo é bom, mas não é executado de maneira democrática. Dominada pelos integrantes do campo majoritário, a junta eleitoral aceita ou não os delegados que quiser e os critérios não são claros”, reclama Adriele Marlene Manjabosco, 20 anos, aluna do curso de serviço social da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e que compõe a atual diretoria da UNE. Ela fez parte do Campo Popular, uma das duas chapas de oposição que participaram da última disputa da entidade. “A UNE esteve presente de forma decisiva em lutas históricas brasileiras, mas hoje enfrenta uma crise de representatividade por causa de seu atrelamento ao governo federal e por causa do centralismo de sua gestão”, critica Adriele, filiada ao PT e integrante de um movimento chamado “Reconquistar a UNE”.
As eleições também são motivo de reclamação por parte do estudante Yuri Pires Rodrigues, 26 anos, aluno do curso de letras da Universidade de São Paulo. Filiado ao Partido Comunista Revolucionário (PCR), que tem forte presença no meio estudantil, ele afirma que na última disputa a data das eleições foi antecipada pela direção da UNE para dificultar a formação de chapas. “As eleições tradicionalmente são na segunda quinzena de julho, mas com a desculpa da Copa das Confederações elas foram adiantadas para o fim de maio, atrapalhando a eleição de delegados pelas chapas de oposição”, afirma Yuri, primeiro vice-presidente na atual gestão.
Segundo ele, a mudança do calendário foi votada em uma reunião da entidade, mas antes do resultado a direção já tinha confeccionado panfletos com a nova data. Para Yuri, a única forma de se contrapor ao poder do PCdoB seria a união em uma só chapa de todos os campos de oposição. “A gente até conseguiu superar algumas divergências e se unir na última disputa, por isso mesmo aumentamos nosso espaço na direção, mas ainda não foi suficiente”, destaca.
A disputa entre o campo de esquerda, segundo ele, tem enfraquecido a entidade e aberto brecha para partidos conservadores ocuparem espaços importantes dentro do movimento estudantil, principalmente nos diretórios centrais. “O que queremos é que a UNE faça mais enfrentamento para garantir conquistas para os estudantes. Não pode o governo federal dizer sim e a UNE, sim, senhor”, defende.
Questionada sobre a hegemonia do PCdoB no comando da UNE, Virgínia Barros afirmou, em entrevista por e-mail, que quem elege “a diretoria da UNE não é a força política A ou B, mas os estudantes” e que a entidade “não pertence, nem é comandada por nenhum partido e, sim, pelo conjunto dos estudantes universitários brasileiros”. Segundo ela, a atual diretoria reúne estudantes de diversos partidos e também sem filiação partidária. Em relação ao processo eleitoral, a presidente disse considerá-lo “o mais democrático entre o conjunto das entidades do movimento social brasileiro”. O regimento, de acordo com ela, é formulado e aprovado em um fórum da UNE composto por centenas de diretórios centrais dos estudantes, executivas de curso e uniões estaduais dos estudantes.
Fonte em.com.br
Autora Alessandra Mello
sexta-feira, 7 de junho de 2013
Proposta de resolução de Movimento Estudantil do Campo Popular - 53º Congresso da UNE
O movimento estudantil e a bandeira da UNE estiveram nos
principais momentos da história do Brasil nos últimos 75 anos.
Hoje, reafirmamos que a organização e a luta das e dos estudantes
continua sendo fundamental para construir avanços sociais em nosso
país, e mais que uma afirmação, esse é o nosso compromisso. No
entanto, é importante reconhecermos a crise que o movimento
estudantil vive atualmente, seja de mobilização, seja de elaboração
de um projeto de universidade e de educação democrática e popular,
que construa um conhecimento sócio referenciado, que sirva ao
desenvolvimento social do país. A partir disso, acreditamos que é
preciso primeiro reinventar o movimento estudantil para transformar
as universidades e a educação do Brasil, partindo de uma
atualização de suas pautas frente à nova conjuntura que a educação
brasileira vive. Somente assim conseguiremos dialogar, envolver e
tornar protagonistas os novos atores e atrizes que ingressam na
universidade hoje através das políticas de democratização do
acesso.
Em cada universidade e em cada sala de aula ou corredor,
é possível organizar a disputa da educação brasileira para os
rumos que defendemos. Hoje, nossos esforços devem se concentrar em
pautas concretas, buscando acompanhar e incidir nesse novo momento da
universidade, transformada nos últimos anos.
O movimento que acreditamos também precisa atuar fora
dos muros da universidade! Construímos um movimento que é aliado
dos movimentos sociais, populares, de trabalhadores e trabalhadoras,
na luta por reformas estruturais, que garantam mudanças profundas
para o desenvolvimento do Brasil.
A UNE
A UNE é um patrimônio histórico do povo brasileiro.
Nela está nosso potencial para organizar lutas e garantir conquistas
concretas para os estudantes e para o povo brasileiro.
E é por acreditar nesse potencial, que convidamos as
lideranças presentes no 53º Congresso da UNE a fazer uma avaliação
crítica do movimento estudantil nacional nesses últimos anos. Pois
em muitas ocasiões nos perdemos na disputa de espaços nas entidades
estudantis ao invés de desempenhar todo potencial transformador que
o movimento estudantil possui.
Percebemos hoje uma lógica predominante dentro da UNE,
que despolitiza e enfraquece a entidade, e que ao invés de ajudar a
unificar, ajuda a polarizar o movimento estudantil Brasil afora. Além
disso, identificamos uma análise equivocada frente aos desafios do
movimento estudantil. Há uma falsa polêmica entre o adesismo
acrítico por parte do campo majoritário que dirige a entidade
frente ás políticas implementadas no último período e a oposição
de esquerda da UNE que nega todas essas mesmas políticas. Ambos
colocam para o ME uma postura reativa, não dialogando com a
amplitude dos estudantes brasileiros. Acreditamos que o papel do ME
no cenário atual é de ser a ponta de esquerda que arraste o Governo
para as demandas reais dos estudantes, dos jovens que estão fora das
universidades e da classe trabalhadora.”
Mais que um erro de análise, essa lógica favorece
tanto o Campo Majoritário como a Oposição de Esquerda, que se
pautam cada qual na oposição do outro, sem perspectiva de
construção de entendimentos e sínteses coletivas para atuarmos
unificados após os momentos congressuais. Enquanto permanecermos
assim, demonstraremos falta de maturidade para construir uma UNE
democrática, popular, combativa, autônoma e presente no cotidiano
das Universidades.
Do ponto de vista do conteúdo político, é importante
reconhecer o papel protagonista que a UNE assumiu na luta pelos 10%
do PIB para a educação pública, que já registra vitórias
históricas como a aprovação da pauta na Câmara dos Deputados.
Esse feito é referência para como a entidade deve atuar no próximo
período, combinando pressão institucional com a luta massas. Ainda
assim, essa é uma luta em curso, da qual não se pode permitir
retrocessos: a proposta ainda tramita no Congresso e sofre uma
ofensiva de setores conservadores para que ela perca o seu caráter
de investimento público. No entanto, é importante pontuar que as
demais conquistas da entidade no período recente não foram fruto do
mesmo processo, tendo priorizado a disputa no campo institucional.
A UNE deu, no último período, sinais de como não deve
se portar no futuro. Durante a greve das federais, a UNE perdeu uma
oportunidade de protagonizar uma luta importante e legítima, fruto
de algumas das contradições próprias do atual momento da
universidade brasileira, que expandiu o acesso de jovens filhos e
filhas da classe trabalhadora, mas não garantiu um investimento
proporcional na permanência destes, na infraestrutura necessária e
na valorização dos docentes e técnicos-administrativos.
Além disso, a UNE foi omissa na construção de
mobilizações em torno de uma pauta estrutural: a luta contra a
implementação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares
(EBSERH), que já foi aprovada em algumas universidades, requer da
entidade um maior compromisso com a pauta. A EBSERH fere diretamente
a autonomia universitária, a partir do momento em que no seu
estatuto de Empresa Pública de Direito Privado está definida uma
composição de direção não submetida ao controle da comunidade
universitária, atacando, principalmente, a indissociabilidade do
tripé ensino, pesquisa e extensão;
Também se furtou de assumir, num primeiro momento, a
defesa incondicional da meia-entrada irrestrita para estudantes e
jovens, quando da tramitação do projeto de lei do Estatuto da
Juventude. As cotas de 40% das entradas para estudantes e jovens
representam um grande retrocesso para a juventude brasileira, na
medida em que significa a retirada de um direito que já estava
garantido. A UNE deve ter um papel protagonista para barrar essa
proposta, que, na prática, pode extinguir a meia-entrada estudantil,
visto que será difícil obrigar os empresários a cumprirem essa
cota. Eles poderão, simplesmente, dizer que a cota já foi
preenchida. A UNE não pode permitir um retrocesso desse tamanho.
Acreditamos que essa realidade pode ser diferente, e que
a UNE pode conquistar referência no dia a dia dos estudantes
brasileiros, utilizando nossos fóruns para integrar o movimento
estudantil e preparar os estudantes para atuar nas mais diferentes
realidades em que a luta acontece. Para isto, precisamos participar
dos fóruns da UNE com a meta comum de construir sínteses entre as
mais diversas opiniões dos estudantes brasileiros. Dessa forma,
ampliaremos nossa força social para pressionar e garantir as
transformações estruturais que a juventude precisa, e que um
projeto nacional, democrático e popular de desenvolvimento exige.
A próxima Diretoria da UNE deverá se esforçar para
estimular uma maior e mais qualificada participação estudantil em
nossos fóruns. Além de construir alternativas de participação que
levem a UNE a estudantes que não podem vir a nossos congressos.
Precisamos também repensar a estrutura organizativa da nossa
entidade. Inserir : Hoje, um número cada vez maior de universitários
se organizam em coletivos de mulheres, de negros e negras, de
cultura, de LGBT’s, de extensão, de religiões, de defesa do meio
ambiente, entre outros. Esses diversos movimentos organizam e
mobilizam milhares de estudantes pelo país, porém nem sempre
constróem a rede tradicional do movimento estudantil (Centros e
Diretórios Acadêmicos, Diretórios Centrais dos Estutantes, UEE’s,
Executivas e Federações de curso e a UNE). É um desafio colocado
sobre nós a construção de uma novas práticas e mentalidades
política do movimento estudantil, entendendo-o como um prisma em que
essas diversas identidades se convergem e que encontrem na UNE, mais
uma vez, um dos principais espaços de luta estudantil Brasil afora.
Identificamos que para conquistar mais legitimidade e
confiança dos estudantes, precisaremos de práticas políticas
diferenciadas, mais transparentes e horizontais. Nesse sentido, um de
nossos principais desafios é superar a cultura de conduções muito
formais e centralizadas que herdamos de outros tempos do movimento
estudantil. Queremos abrir mais espaços para construções
coletivas, que tanto reivindica a juventude brasileira.
A UNE, em seu 14° CONEB – Conselho Nacional de
Entidades de Base ocorrido no Recife em Janeiro, construiu o projeto
de reforma universitária dos estudantes brasileiros que dá conta
destas demandas. Precisamos agora fazer com que este projeto vá para
as bases e seja debatido pelo conjunto dos estudantes, para que seja
a pauta central da próxima jornada de lutas.
Poderemos viabilizar essas transformações construindo
um movimento amplo e articulado. Com relações autônomas a
partidos, reitorias e governos. Um movimento estudantil menos
conciliatório e mais combativo. Para isto, reivindicamos que o
movimento estudantil precisa de força própria para formular e
propor um projeto de educação democrático e popular, que responda
a novos desafios que um Brasil novo apresenta.
Por uma UNE Democrática e Popular
- Democrática
-Que se abra um espaço para debater uma Reforma
Estatutária, para avançarmos numa forma horizontal, plural,
democrática e paritária de organização da entidade;
- precisamos repensar o processo eleitoral ampliando
a democracia na entidade. Da maneira como está privilegia as
organizações que tem mais dinheiro investido e naturaliza eleições
pouco politizadas, voto em “listas” ao invés de estimular a
participação dos/as estudantes garantindo debates e eleições com
voto em urna em cada uma das universidades.
- garantir a paridade (participação igual de homens e
mulheres) em todas as instâncias da nossa entidade.
- a UNE precisa estar no cotidiano das
universidades, para além do período Congressual. Precisamos
carregar a bandeira da UNE, junto com toda sua simbologia e força
para fortalecer o movimento nas universidades e a própria UNE.
- as gestões precisam ser mais transparentes e
próximas ao conjunto de estudantes brasileiros, prestando contas,
financeira e politicamente do que foi construído. Pela
imediata implantação do Conselho Fiscal da UNE já aprovado pela
entidade.
- A UNE deve ter uma política de comunicação
mais eficiente, plural e dinâmica. Com a criação de um Conselho
Editorial, de um jornal e um boletim de circulação nacional. Um
site e redes sociais mais ágeis, interativos, que ampliem o espaço
de debate e colaborem com o movimento;
-Que se implante um Portal da Transparência que
divulgue em tempo real toda a movimentação financeira da entidade;
além de um Orçamento Participativo da UNE.
- A UNE deve se portar como uma entidade que fomenta a
formação política. Devemos criar a Escola
Nacional de Formação Política Honestino Guimarães.
-Que se constitua um Grupo de Trabalho amplo,
democrático e representativo, que repense o modo de organização de
todos os fóruns da entidade e apresente uma proposta de
reformulação.
-Que a UNE realize caravanas periódicas que apresentem
a entidade e coloquem os/as estudantes em contato com ela.
-Que a UNE combata qualquer concepção mercadológica
de confecção de carteiras de meia-entrada, inclusive adotando o
método da contribuição voluntária.
- Fortalecimento das entidades de base, para melhor
funcionamento da rede do movimento estudantil;
Popular
- Apesar de importante, a nossa luta não pode se
bastar à luta institucional. O centro da nossa atuação na UNE deve
ser a mobilização de massas. A UNE precisa ir para a rua, fazer
pressão social, organizar os estudantes e garantir transformações
estruturais.
- A UNE precisa lutar ainda mais pela democratização
do acesso e pela popularização da universidade. Hoje, somente 15%
da juventude brasileira tem acesso ao ensino superior, em sua maioria
em instituições particulares.
- a UNE tem que fortalecer sua relação com os
movimentos sociais de juventude, populares e de trabalhadoras e
trabalhadores. Apenas lado a lado do povo brasileiro conseguiremos a
força necessária para mudar a realidade.
-convocar a todos para uma força tarefa que traga todas
as executivas de curso de volta para a UNE.
Constroem essa resolução: Tese
Reconquistar a UNE, Tese Refazendo a UNE, Coletivo Quilombo,
Movimento Mudança, a Juventude Revolução e Levante
Popular da Juventude,
Proposta de resolução de Educação do Campo Popular - 53º Congresso da UNE
A educação não é um ente isolado na sociedade. Esta
não pode ser compreendida fora do contexto histórico-social
concreto. Embora em nossa sociedade, os sistemas de ensino tenham
sido concebidos para reproduzir a ordem social dominante, seus
valores, “visão de mundo” e ideologia, o processo de
constituição da Universidade é um processo contraditório que
permite a abertura de brechas em favor da disputa por alternativas
educacionais significativamente diferentes e emancipadoras. Disputa
essa que está diretamente ligada à disputa mais geral de hegemonia
da sociedade.
Desta forma, defendemos a educação como um direito
universal, pois estamos entre aqueles que entendem que o acesso ao
conhecimento e à formação intelectual é condição fundamental
para o desenvolvimento social e a elevação do nível de consciência
dos povos. A educação, assim, é um bem público que não pode
constituir-se enquanto privilégio de uma minoria e deve ser
garantido pelo Estado com recursos públicos, condição para a
manutenção de seu caráter laico, bem como da liberdade e autonomia
pedagógica e científica necessárias a seu exercício.
Portanto, cabe ao movimento estudantil em seus espaços
de atuação, aliando-se aos demais movimentos sociais da classe
trabalhadora, aprofundar a luta por uma
educação multiconceitual,
contra-hegemônica e
libertadora, que caminhe na contramão
da lógica do capital. Uma educação que
visa a elevação da consciência política de estudantes e
educadores como resultado da sua inserção crítica na realidade
tornando-se ferramenta de libertação dos trabalhadores e setores
populares, em que o processo de aprendizagem se torne consciente, e
não alienado, sendo assim uma das forças
capazes de contribuir na luta pela construção
de uma nova sociedade, livre de toda a opressão e exploração.
Educação brasileira nas últimas décadas
Durante os anos 90, na consolidação do regime
neoliberal, tivemos um cenário de fortalecimento do ensino privado e
desmonte do ensino público. No governo de Fernando Henrique Cardoso
foram implementadas medidas como o corte de verbas para as
Universidades Federais, a extinção de cargos do funcionalismo
público e a proliferação das terceirizações e das fundações
privadas ditas “de apoio”. Este contexto gerou uma forte
resistência e unidade no movimento educacional, que protagonizou
muitas lutas e greves, garantindo que a educação pública não
fosse privatizada e permanecesse gratuita.
Na última década vimos uma mudança neste cenário.
Com o advento dos governos Lula e Dilma, uma série de políticas
educacionais no ensino superior inverteram a antiga lógica. O
Governo aumentou investimento no ensino público, com programas como
o REUNI, que possibilitaram a expansão das Universidades Federais.
Com sua implementação foram criadas 14 novas Universidades e mais
de 180 novos campis. Tivemos um aumento significativo do orçamento
das Universidades Federais, que passou de R$ 9 bilhões em 2002 para
mais de 20 bilhões nos últimos anos.
Quanto ao setor privado, este também viveu uma grande
expansão, inclusive superior ao setor público, devido, sobretudo, a
não regulamentação e se beneficiou dos investimentos do governo na
educação, através do PROUNI e do FIES, de modo que nunca antes
houve tantas Universidades, Faculdades e cursos EAD espalhados pelo
país cobrando para oferecer o que tratam como seu produto, sua
mercadoria. Essa concessão à iniciativa privada não foi
acompanhada pela sua regulamentação. Acreditamos que, num cenário
em que muitas instituições particulares são virtualmente
dependentes do PROUNI e FIES para se manter, o Estado pode e deve
utilizar esse instrumento de pressão para regulamentar o ensino
privado, garantindo os direitos d@s estudantes, inclusive a livre
organização, e as contrapartidas da instituição.
As mudanças da última década concentraram-se em
minimizar a primeira grande barreira: o acesso. No entanto essa
expansão se deu nos moldes conservadores, visto que o governo não
alterou a estrutura antidemocrática que organiza e gerencia o Ensino
Superior no país. O cenário atual tem demonstrado as contradições,
assim como limites e potencialidades, desta política de expansão.
Cabe também ressaltar que nas universidades federais,
metade das obras não foram concluídas a tempo e muitos dos
professores ainda não foram contratados. É importante ressaltar
ainda que muitos cursos foram criados sem demanda social, numa lógica
de cumprir estatísticas, metas e apenas gerar bons relatórios
quantitativos, mostrando as falhas de construir um processo de cima
para baixo sem modificar a estrutura conservadora da Universidade
brasileira.
Já nas Instituições de Ensino Superior Privadas a
lógica dominante é a do financiamento destas com enormes aportes de
recursos públicos diretos ou isenções fiscais, sem discutir a
contrapartida que diz respeito ao modelo político pedagógico, o
tripé ensino, pesquisa e extensão, as políticas de permanência e
a democracia interna das instituições.
Um grande limite é a questão da permanência. O
financiamento reduzido do Plano Nacional de Assistência Estudantil
(PNAES), de somente 600 milhões, não dá conta dos desafios
trazidos pela expansão do ensino superior, que com a mudança na
forma de acesso por meio do novo Enem e com as ações afirmativas,
como a lei de cotas, tem mudado o perfil dos estudantes
universitários. Estas políticas ampliaram a oportunidade de acesso
a setores historicamente excluídos do meio universitário, porém
não deram conta de garantir condições necessárias de permanência.
Boa parte das instituições ainda não supriram as demandas básicas
de moradia e alimentação, de transporte, acesso à creche, saúde,
quem dirá de acesso à cultura, ao apoio pedagógico e entre demais
ações de equiparação de condições sociais, incluindo a questão
da acessibilidade, que constitui uma barreira grave ao acesso das
pessoas com deficiência física à universidade.
Para solucionar essa questão é fundamental a
destinação de 10% do PIB para a educação pública e a ampliação
dos recursos para a assistência estudantil para, no mínimo, de 2,5
bilhões. Nas universidades estaduais, a situação também é grave,
visto que muitas delas tem um orçamento muito reduzido. Nesse
sentido, o investimento federal nas universidades estaduais pode ser
uma saída interessante para o subfinanciamento do ensino público
estadual.
Além disso, é necessário ampliar o conceito de ações
afirmativas implementado nas universidades. As universidades, em
geral, compreendem as ações afirmativas apenas como as cotas de
acesso. Assim, a Lei de Cotas é uma vitória histórica, e é
necessário, por conta dela, elevar o debate para outro patamar, que
inclua mudanças curriculares, programas afirmativos de assistência
estudantil, voltados especificamente para os segmentos historicamente
excluídos. Só assim a grande transformação que as cotas promovem
no corpo discente poderão atingir em cheio a universidade, mudando
sua concepção, o corpo docente e outros diversos aspectos nos quais
ela ainda é exclusivista.
Em que pese o investimento ser essencial para a garantia
da ampliação e infraestrutura e qualidade de ensino, as limitações
deste processo vão para além dos recursos e esbarram em uma gestão
arcaica e altamente centralizada. Nós, estudantes que vivenciamos
cotidianamente a universidade e suas problemáticas, deveríamos ter
peso igualitário nos espaços de decisão da universidade, como
conselhos superiores e colegiados de curso. Cabe frisar também que a
ausência de recursos explica muita coisa, mas não o ensino
bancário, eurocêntrico, machista, homofóbico, distanciado da
realidade. Ou seja, não explica nossos modelos curriculares que
apontam para este modelo de educação posto. Este é um dos grandes
desafios do próximos períodos: avançarmos na construção de uma
nova concepção de educação através da transformação
curricular. Compreendendo a necessidade da construção de
conhecimento através do intercâmbio entre a academia e a sociedade,
por meio da extensão.
O movimento estudantil brasileiro não pode assistir
sentado às mudanças educacionais do país. Tampouco deve ter uma
postura meramente reativa, emitindo apenas opiniões acerca das
políticas do governo, mas sem capacidade de propor e pautar as
transformações. Temos o papel de lutar para que o ensino público
seja maioria no nosso país. Porém somente aumentar os números de
matrículas nas Universidades Públicas que são arcaicas e
conservadoras não basta, é necessária uma expansão com qualidade
e inclusiva. Isto se torna possível se esta vier acompanhada de uma
verdadeira reforma universitária, protagonizada pelos estudantes que
mexa nas estruturas de nossa Universidade e a torne realmente
pública, democrática e popular.
Reforma universitária
No último CONEB aprovamos uma resolução de Reforma
Universitária e no 12º CONEB em Salvador aprovamos a proposta de
Reforma Universitária da UNE.
Ocorre, porém, que os estudantes brasileiros não conhecem esta
proposta, uma vez que foi elaborada por poucas mãos e não foi alvo
de discussões nas universidades. A elaboração do projeto de
reforma universitária da UNE foi um gesto político importante do
movimento estudantil. Entretanto, mesmo sendo resultado de uma
postura menos pautada pela agenda do governo federal para a educação,
o projeto ainda deve ser melhor debatido e
atualizado pelos fóruns do movimento.
Defendemos uma Reforma Universitária que contemple um
projeto de universidade pública, estatal, laica e gratuita, uma vez
que a educação é um direito social de toda a população, devendo
ser garantida através de investimentos públicos. Defendemos que a
universidade cumpra a sua função social, contribuindo com a
superação das desigualdades sociais e não mais a sua reprodução.
Propomos a superação do método pedagógico tradicional, bancário,
mercadológico e autoritário, onde o professor assume um papel de
sujeito inquestionável da reprodução do saber, detentor de todo
conhecimento, enquanto as e os estudantes são tratadas/os como
jarras vazias; a revisão dos mecanismos de avaliação que não
permitem uma reflexão crítica acerca do conhecimento produzido; do
academicismo pautado pela lógica da produtividade e descomprometido
com práticas transformadoras; da formação profissional pautada
por demandas do mercado e não pelas demandas sociais;
As instituições de ensino devem ser co-governadas
democraticamente por todas as categorias da comunidade acadêmica,
uma vez que a realidade da universidade diz respeito aos sujeitos que
a constroem.
Por isso aprovamos:
- 10 % do PIB para a educação pública;
- 100 % dos royalties para a educação pública;
- 2,5 bi para a assistência estudantil;
- Revisão dos critérios para concessão de bolsas
adotados pela Lei 12.711/12 que trata do Programa de Bolsa
Permanência para Estudantes Cotistas;
- Por no mínimo 15% do Orçamento da IES para
Assistência Estudantil;
- Recursos de assistência estudantil para estudantes
prounistas e do FIES;
- Bolsa permanência para todos prounistas;
- Ampliação dos cursos Noturnos;
- Autonomia financeira para as Universidades Estaduais;
- Paridade nos conselhos superiores, nas eleições e na
gestão das universidades;
- Regulamentar o ensino privado em todos os níveis
educacionais, limitando a participação de capital estrangeiro na
educação, retomando os marcos da educação como direito e não
como mercadoria, garantindo fiscalização efetiva para evitar
abusos”;
- Pela não aprovação da fusão da Kroton e
Anhanguera;
- Curricularização da extensão universitária e
valorização da comunicação da universidade com os movimentos
populares;
- Avaliação dos professores pelos estudantes;
- Pelo fim da privatização, contra EBSERH, Hospitais
universitários 100% SUS!;
- Remuneração dos estágios obrigatórios dos cursos
da saúde;
- Caráter vinculativo das CONAE’s;
- Pela redefinição dos métodos de
ensino – abaixo a pedagogia tradicional!;
- Reformas curriculares que transformem a formação
profissional rumo à compreensão da realidade social;
-
Pela indissociabilidade entre o ensino, a pesquisa e a extensão,
socialmente referenciados;
-
Pela revogação da Lei de Inovação Tecnológica e das PPP;
- Pelo Fim das Fundações Privadas ditas “de apoio”.
Controle Público Já!
UMA NOVA ETAPA, MUITA LUTA
No último domingo, 02
de junho, encerrou-se o 53º Congresso da UNE, novamente sendo
realizado na cidade de Goiânia-GO, que
reuniu aproximadamente 10 mil estudantes de todos os Estados
da União. Este evento deve ser
analisado não apenas pelo já esperado resultado da
composição de sua diretoria, mas também a criação de um novo
campo que se mostrou como alternativa real à atual direção da UNE:
o Campo Popular.
Corriqueiramente se
escutava que a disputa da UNE se pautava somente sob duas
perspectivas: o da atual direção da UNE, com o consórcio de forças
políticas comandada pela UJS, na qual se mostra cada dia mais
burocrática e menos crítica, ou o posicionamento da auto-proclamada
Oposição de Esquerda, com um discurso esquerdista irresponsável de
negação dos avanços adquiridos nos últimos 10 anos em nossa
sociedade e sistema educacional.
O Campo Popular chegou
com força em seu ano de criação, não só com o seu grande número
no Congresso, mas principalmente pelos posicionamentos adotados, no
qual reconhece os avanços sociais obtidos na última década de
governo do PT, mas também se mostrando crítico a vários
posicionamentos do mesmo e sempre reforçando que queremos muito mais
do que nos está posto e nos é oferecido.
O novo bloco (composto
pelas teses Reconquistar a UNE, Levante Popular de Juventude,
Quilombo, Mudança e Refazendo) reafirmou que é sim preciso 10% do
PIB para a educação, mas que precisa vir juntamente com posturas de
mudança estrutural e pedagógica em nosso modelo de ensino, fazendo
assim uma real Reforma Universitária, e lutando sempre por uma
Universidade Pública, Democrática e Popular.
E sob o som da palavra
de ordem cantada "Para a UNE avançar, tem que ser mais popular"
este campo obteve 539 votos, conquistando pela proporcionalidade, 11
cargos de direção na UNE, sendo 2 na Executiva.
No mais gostaríamos de
agradecer ao companheiro Jonatas Moreth que no último período,
representando a tese Reconquistar a UNE na executiva da União
Nacional dos Estudantes, percorreu os estados com muita luta e
dedicação, mostrando um Movimento Estudantil combativo e de luta,
assim como fez a companheira Adriele Manjabosco que enquanto diretora
da UNE também mostrou uma atuação exemplar, tornando-se assim o
nome para representar a nossa tese neste período que está por vir.
E como disse a
companheira Tábata Silveira “pulsa aqui a convicção de que
reconquistar a UNE pra luta não é uma utopia, mas uma urgência
mais possível agora com a conformação de um Campo Popular (fomos
uma multidão expressiva no congresso) que propõe no discurso e na
prática um ME cotidiano e não eleitoreiro, autônomo e não
aparelhista, acolhedor e não arrogante, combativo e não adesista,
comprometido com a transformação da universidade e não com a
contagem de garrafinhas pra congresso ou pra partidos, que encara as
e os estudantes como gente dotada de inteligência, não como gado.”
Luiz Carlos Werneck
Campo Popular
*Reconquistar a UNE - tese impulsionada pela Articulação de esquerda (Tendência Interna do PT)
*Levante Popular da Juventude - tese impulsionada pela Consulta Popular
*Quilombo - tese impulsionada pela Esquerda Popular Socialista (Tendência Interna do PT)
*Mudança - tese impulsionada pelo Movimento de Ação e Identidade Socialista (Tendência Interna do PT)
*Refazendo - tese impulsionada pela Militância Socialista (Tendência Interna do PT)
*Coletivo de Pés no Chão - impulsionado pela Revolução Democrática (Tendência Interna e regional do PT-RN)
*Reconquistar a UNE - tese impulsionada pela Articulação de esquerda (Tendência Interna do PT)
*Levante Popular da Juventude - tese impulsionada pela Consulta Popular
*Quilombo - tese impulsionada pela Esquerda Popular Socialista (Tendência Interna do PT)
*Mudança - tese impulsionada pelo Movimento de Ação e Identidade Socialista (Tendência Interna do PT)
*Refazendo - tese impulsionada pela Militância Socialista (Tendência Interna do PT)
*Coletivo de Pés no Chão - impulsionado pela Revolução Democrática (Tendência Interna e regional do PT-RN)

quinta-feira, 6 de junho de 2013
Proposta de resolução de Conjuntura do Campo Popular - 53º Congresso da UNE
O
mundo que vivemos
Para
traçar ações políticas que mudem a realidade é necessária uma
análise do contexto em que estamos. A conjuntura mundial da segunda
década do século XXI já aponta elementos importantes para a
reflexão, principalmente com a crise do capitalismo que se desdobra
sem resolução desde 2008 e que já tem distúrbios políticos ao
redor do mundo como consequência. Essa crise já vem sendo apontada
como uma crise estrutural e cabe aos movimentos sociais e à esquerda
uma postura proativa e propositiva, que consiga apresentar uma
resolução anticapitalista para a encruzilhada onde o capital pôs a
humanidade, sob pena de, caso não o faça, ver mais uma adaptação
do capitalismo.
Na
América Latina, também há sinais de mudança, alguns preocupantes,
no cenário político, econômico e social. O mais preocupante é o
freio repentino que sofreu a ascensão das esquerdas latinoamericanas
aos governos de seus respectivos países. Se, nos dez anos anteriores
o que se viu foi uma onda de vitórias eleitorais da esquerda, agora,
ela sofre derrotas pelo voto – como no Chile – ou pela força –
como em Honduras e Paraguai. Mesmo onde ela ainda permanece no
governo, como na Venezuela e na Argentina, nota-se um endurecimento
(fortalecimento)
das forças conservadoras, que vendem (cobram) muito caro suas
derrotas eleitorais.
Como
vemos os 10 anos de governo liderados pelo PT
Tendo
em vista esses elementos externos, é possível se debruçar com mais
cuidado na situação nacional brasileira. Há dez anos com um
governo liderado por um partido de esquerda, mas com um grande arco
que agrega desde setores que representam interesses populares até
representantes dos interesses do grande capital nacional e
internacional, o Brasil vive mudanças significativas em uma série
de áreas.
Sem
medo de errar, pode-se afirmar que muitas dessas mudanças tem sido
positivas. Ocorreram melhoras significativas nas condições
materiais e na vida cotidiana da população brasileira, sobretudo da
classe trabalhadora: a entrada de estudantes de escolas públicas,
negr@s e/ou pobres nas universidades é bem maior, inclusive na rede
pública, e a ampliação da renda d@s trabalhador@s resultou numa
relativa redução da desigualdade social.
Nesses
dez anos, o Brasil passou a agir, nas relações internacionais, a
partir de outro patamar. Norteado por projetos estratégicos de
integração com a América Latina, a África e parte da Ásia,
enfatizando a cooperação sul-sul e protagonizando a construção de
blocos de países emergentes,
com quem o Brasil pouco se relacionava
antes. Há, também, um avanço digno de nota no acesso a alguns
serviços públicos e na elaboração de políticas estratégicas
para o desenvolvimento econômico, como nas áreas de energia e
infraestrutura.
Por
outro lado, também é impossível deixar de notar as novas
contradições geradas por essas circunstâncias, bem como as antigas
que não foram enfrentadas. Avaliamos que recuos frente a
transformações estruturais da sociedade abre margem para a retomada
da organização e influência de setores conservadores mais
tradicionais, e outros na base aliada do governo. Podemos ver essa
tendência na retomada de agendas de privatização, que vão na
contramão do que conquistamos nos últimos anos.
Salta
aos olhos a ausência de qualquer reforma estruturante na agenda da
política brasileira; nada se avança na reforma política ou das
comunicações. Sobretudo, o fato das prioridades muitas vezes
contemplarem interesses econômicos de grandes empresas em detrimento
da demanda de movimentos populares, como é o caso da reforma
agrária, com a prevalência do modelo do agronegócio sobre o da
agricultura familiar e da política financeira, em que o compromisso
com o pagamento do superávit primário vai na contramão das reais
necessidades da população e agrada o capital internacional.
Um
novo ciclo de lutas sociais
São
preocupantes os limites e políticas apresentados pela ala
conservadora, dentro e fora dos governos. A expressão crescente de
opiniões conservadoras e, muitas vezes, violenta sobre uma série de
temas tem pautado a cena política brasileira de diversas formas,
polarizando com as opiniões mais progressistas e, muitas vezes, se
sobressaindo em relação a estas. E, embora seja necessário
reconhecer a radicalização conservadora da direita, não se pode
entrar numa defensiva ideológica frente a ela; é o caso de,
justamente, defender e efetivar as pautas políticas progressistas,
disputando as consciências da população, para corroer a base de
apoio da opinião conservadora, como aconteceu a partir da
implementação das cotas, que, dez anos depois, passaram a ter ampla
aprovação da população que, antes, a rejeitava.
Para
avançar em relação ao que já está posto, superar as contradições
das quais o Estado e governos brasileiros tem fugido e dar conta das
novas contradições geradas pelas políticas aplicadas nos últimos
dez anos é fundamental reafirmar a importância de fortalecer
movimentos sociais na defesa incondicional de suas pautas e propostas
políticas, bem como a atualização das mesmas, que contribuam nesse
sentido.
Nesse
sentido, é importante que a UNE defenda a criminalização da
homofobia, para além de condenar as declarações absurdas do
deputado Marco Feliciano (PSC-SP), como forma de enfrentar a
crescente violência homofóbica. A forte reação ao deputado
evangélico permitem trazer para o centro do debate a necessidade de
reafirmar o caráter laico do Estado brasileiro.
Também,
que consiga pautar o combate à violência contra a mulher, seja ela
física, sexual, moral, psicológica ou patrimonial. A garantia dos
direitos das mulheres no âmbito do trabalho, da política e da
família (espaço privado) não poderá se concretizar sem uma
prática vigorosa de combate a todas a ao modelo patriarcal formas de
discriminação, diminuição e ataque, físico ou não, à vida das
mulheres.
Para
enfrentar a questão da segurança, é preciso reafirmar a posição
contra a política baseada no encarceramento e repressão. Isso
significa combater, ao mesmo tempo, a ideia de redução da
maioridade penal, que parte do pressuposto que a prisão é uma
solução para o problema da violência; a brutalidade policial, que
vitimiza sobretudo jovens negros e das periferias, através dos autos
de resistência e do uso do tráfico de drogas como desculpa para um
verdadeiro genocídio étnico (pelas mãos da polícia militarizada
herança da Ditadura Militar, o que é preciso ser revertido),
visto que o número de mortes de jovens
brancos tem diminuído e o de jovens negros aumentado; e, por fim,
combater também o conceito de guerra às drogas e o grande mito de
que a repressão armada tem consequências positivas.
Nesse
cenário, é importante destacar também a luta dos movimentos
sociais em defesa da memória, verdade e justiça. Alguns aspectos da
transição negociada da ditadura para a chamada “nova república”
merecem destaque, tendo em vista que a transição democrática
brasileira é inconclusa. Resquícios da ditadura militar ainda estão
presentes: a lei de anistia, imposta aos movimentos de luta contra a
ditadura, precisa ser revisada. O Supremo Tribunal Federal deve
reexaminar esse entrave à punição de torturadores e assassinos.
Nesse sentido, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) precisa ter o
seu período de funcionamento prorrogado por pelo menos 2 (dois)
anos, tendo em vista que o primeiro ano da CNV foi basicamente de
organização interna.
Defendemos
que o relatório produzido pela CNV sirva como base para a revisão
da lei de anistia no sentido da punição aos torturadores e indique
também proposições que alterem a matriz curricular das unidades de
ensino do país, tornando obrigatória uma leitura crítica do
período ditatorial.
Reformas
estruturantes
Além
disso, é preciso colocar em evidência algumas reformas
estruturantes e transformações profundas que dizem respeito a
contradições para as quais a política brasileira sempre busca
atalhos ao invés de respostas. Por exemplo, a concentração da
propriedade no âmbito da comunicação por algumas poucas famílias
é um fator danoso para o Brasil em muitos aspectos, como o da
diversidade da produção e difusão da cultura popular, e também
uma das amarras do desenvolvimento social brasileiro. É preciso
lembrar que os meios de comunicação de massa são elementos muito
importantes para a construção da hegemonia ideológica e, portanto,
uma das grandes armas que a direita brasileira tem contra os
movimentos populares. E, também, que todas essas medidas já são
previstas na Constituição Brasileira, mas, pelo poder que tem as
grandes corporações da mídia, jamais foram efetivadas.
A
reforma agrária é outro tema no qual há pouco avanço e, por
vezes, até retrocesso. Ao contrário de algumas décadas atrás, não
é mais apenas contra o latifúndio improdutivo que a luta se coloca,
mas também contra o modelo econômico do agronegócio, que, além de
ser ambientalmente danoso pelo uso contínuo de agrotóxicos, ainda
tem uma produção voltada ao mercado estrangeiro e a alimentos
processados, e não ao abastecimento da população brasileira por
alimentos de qualidade. O latifúndio brasileiro é a razão de
muitas mortes no campo e na cidade, seja pela violência dos
capangas, seja pela situação precária da vida daqueles que saíram
do campo para a cidade em busca de uma vida melhor e lá apenas
encontraram mais pobreza. E, enquanto os ruralistas buscam refinar
seus instrumentos legais de legitimação de suas imensas
propriedades desmatadas, como no caso do Código Florestal, mudanças
de legislação simples como a atualização periódica dos índices
de produtividade da terra enfrentam todos os entraves possíveis.
Isso
está relacionado ao desmedido poder político que determinados
setores econômicos tem no Estado brasileiro. Para transformar esse
quadro, deve-se reformular o sistema político para que este possa
dar melhores respostas às demandas da sociedade, mais participativo
e aberto, sem favorecer aqueles que já detêm um poder econômico. O
financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais pode
modificar as relações de classe na política brasileira,
favorecendo a intervenção dos movimentos sociais, à ampliação da
participação da juventude e a lista fechada para as eleições
proporcionais (deputados e vereadores) contribui para uma política
orientada por ideias e não pelo personalismo, bem como facilita
medidas como alternância de gênero e cotas para negr@s e jovens,
que podem ajudar a desfazer distorções existentes na composição
da classe política brasileira; a extinção do Senado, que tem se
mostrado uma das fortalezas conservadoras da sociedade; e a criação
de mais mecanismos de participação popular, como o fortalecimento
dos projetos de iniciativa popular, plebiscitos, referendos.
A
reforma do judiciário brasileiro também deve estar na pauta
política. O único poder que quase não tem controle social precisa
ser reformulado para que deixe de ser uma arma da manutenção do
status quo, da criminalização dos movimentos sociais e da esquerda
e da criação de obstáculos às medidas progressistas que podem
advir de um sistema político reformado.
Por
fim, um tema estratégico para a nação brasileira é o destino que
terá o petróleo brasileiro. Em que pese a defesa de fontes de
energia mais limpas, o Brasil tem uma quantidade considerável de um
dos bens mais disputados do planeta, e isso não é pouco. Por isso,
em defesa do uso do petróleo para os interesses nacionais, é
fundamental reafirmar que a União Nacional dos Estudantes avalia
como fundamental ter uma Petrobrás 100% estatal e pública. Isso
significa combater a prática de leilões de petróleo e gás,
desenvolvendo ciência e tecnologia nacional própria para a
exploração dessa importante riqueza. É isso que pode garantir,
inclusive, a principal pauta política do movimento nos últimos
anos: o investimento de 10% do Produto Interno Bruto na educação.
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