quarta-feira, 31 de julho de 2013

Esquerda católica vai às ruas na Jornada Mundial da Juventude

Munidos com bandeiras vermelhas, jovens ligados à Teologia da Libertação protagonizam marcha mundial contra o extermínio da juventude e defendem igreja aberta e comprometida com os pobres


“Estamos nas ruas contra a redução da maioridade penal e também contra a violência e o extermínio de jovens”, afirmou o paraense Thiesco Crisóstomo, secretário nacional da Pastoral da Juventude (PJ), durante a Marcha Mundial “A Juventude quer Viver”, realizada na tarde de ontem (26), pouco antes da missa com o papa Francisco, na zona sul do Rio de Janeiro.

Depois de percorrer cerca de três quilômetros, do Arpoador à praia de Copacabana, a marcha encerrou as atividades da Tenda das Juventudes, espaço oficial da Jornada Mundial, que reuniu uma rede de entidades e pastorais comprometidas com as transformações sociais.

Severine Macedo, secretária nacional de Juventude do governo da presidenta Dilma Rousseff, participou do protesto. A jovem de 31 anos iniciou sua militância em uma área rural de Santa Catarina. “A pastoral tem uma inserção forte nas comunidades e faz uma discussão sobre a questão social. Além disso, discute a espiritualidade e a Igreja Católica, mas com um pé na luta. A galera também atua em partidos, sindicatos e movimentos sociais. Acho que isso diferencia muito a PJ de outras organizações católicas”, define.

Com o nome de jovens pregados à cruz, tocando instrumentos e cantando palavras de ordem, como “para a Igreja avançar, tem que ser mais popular”, mais de duas mil pessoas lembraram os 20 anos da chacina da Candelária, o massacre do Pinheirinho, de Eldorado dos Carajás, entre tantos outros episódios rotineiros de assassinato da população juvenil.

“Hoje nós estamos celebrando a Via-Sacra na Jornada Mundial da Juventude. Quando a gente olha para a morte de Jesus, a forma como foi feita, é lógico que também temos que olhar para nossa realidade. Então a gente quis trazer junto com a Via-Sacra de Jesus, a Via-Sacra de tantos jovens que são mortos todos os dias no país. A gente quis trazer não só o Jesus da Igreja, mas o Jesus que está no rosto de cada um e cada uma de nós”, refletiu Thiesco.

Futuro em risco

Para Severine, “esse é um momento muito importante da Jornada porque chama atenção do mundo inteiro para este problema”. “A violência é bastante alta no no mundo, especialmente nos países em desenvolvimento. No Brasil, é como se caíssem oito aviões lotados de jovens todos os meses. São em torno de 28 mil jovens assassinados por ano, vítimas de arma de fogo. Mais de 90% são homens e mais de 70% são negros moradores das periferias dos grandes centros urbanos.”

A secretária também lembrou que, em conjunto com a PJ e o movimento negro, foi elaborado o Plano Juventude Viva que tem por objetivo combater o extermínio de jovens no país. A recente aprovação do Estatuto da Juventude também foi comemorada como uma das medidas para enfrentar o problema.

Ao longo de sua passagem, a marcha despertou diferentes reações na multidão que aguardava a passagem do papa desde cedo pela orla de Copacabana. Houve quem confundisse a manifestação com os protestos pelo Fora Cabral ou achasse que se tratava de uma atividade de partidos políticos. Alguns poucos faziam o sinal da cruz, como se estivessem se protegendo de alguma coisa. A grande maioria, porém, aplaudiu e expressou apoio às bandeiras dos manifestantes.

Quem também passou para dar o seu apoio foi o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Ele se disse encantado com a Jornada Mundial da Juventude. “Você vê centenas de milhares de jovens de várias nacionalidades andando pelas ruas, cantando, sorrindo, trocando ideias, vendo uma manifestação popular, como esta da Pastoral da Juventude. Eu acho que o Brasil precisava deste gesto”, disse.

A Jornada Mundial da Juventude iniciou nesta segunda-feira (22) e segue até domingo (28) na capital fluminense. A organização recebeu 375 mil inscritos, vindos de 175 países, sendo 220 mil inscrições brasileiras. O evento, realizado a cada dois ou três anos, promove um encontro internacional de jovens católicos com o papa. A última edição ocorreu em 2011, em Madri, na Espanha, e reuniu cerca de 2 milhões de pessoas, de mais de 190 países. O JMJ 2013 também marca a primeira visita do papa à América Latina desde sua nomeação, em 13 de março.

Por: Carla Santos

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Hegemonia partidária na direção da UNE está na corda bamba

Apesar de mais de duas décadas de domínio absoluto, PCdoB vem, ao longo do tempo, perdendo representatividade na União Nacional dos Estudantes, que tem sido alvo de constantes críticas

"A entidade não pertence, nem é comandada por nenhum partido e, sim, pelo conjunto dos estudantes universitários brasileiros", afirma a presidente da UNE, Virgínia Barros

O PCdoB pode não ser o maior partido de esquerda no Brasil, mas dirige desde 1991 a principal entidade estudantil do Brasil, a União Nacional dos Estudantes (UNE). A pernambucana Virginia Barros, 27 anos, eleita em junho para a Presidência da UNE para o período de 2013 a 215, é a 10ª presidente consecutiva da entidade filiada ao PCdoB. Desde 1979, quando a UNE saiu da ilegalidade em que foi colocada pelo regime militar, o partido só não esteve no mais alto posto da organização estudantil entre 1987 e 1991, período em que foi comandada pelo PT. De lá para cá são mais de duas décadas de hegemonia absoluta.
Tanto tempo no poder não é sinônimo de unanimidade dentro do movimento estudantil. Pelo contrário. A UNE tem sido alvo de críticas constantes de juventudes partidárias das mais diversas correntes, da esquerda radical aos liberais. Até mesmo dentro do PT, segunda maior força no movimento estudantil, não faltam reclamações contra a gestão comunista.

A oposição ao campo que hoje dirige a UNE vem ganhando espaço nas últimas disputas e por pouco não conquistou na eleição de junho o segundo cargo mais importante na hierarquia da entidade, a tesouraria. O apoio ao PCdoB na entidade estudantil também caiu em relação à disputa anterior. Na eleição deste ano Virgínia Barros conquistou 68,3% dos votos dos delegados, proporção menor em relação a 2011, quando o também comunista Daniel Iliescu teve quase 76% de aprovação.
Um dos principais problemas apontados é a falta de democracia na gestão da entidade e o processo eleitoral. As eleições são feitas de maneira indireta. Os diretórios estudantis das universidades organizam as eleições para a escolha dos delegados, na proporção de um para cada mil votos, que terão direito a escolher a direção durante congresso.

“O modelo é bom, mas não é executado de maneira democrática. Dominada pelos integrantes do campo majoritário, a junta eleitoral aceita ou não os delegados que quiser e os critérios não são claros”, reclama Adriele Marlene Manjabosco, 20 anos, aluna do curso de serviço social da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e que compõe a atual diretoria da UNE. Ela fez parte do Campo Popular, uma das duas chapas de oposição que participaram da última disputa da entidade. “A UNE esteve presente de forma decisiva em lutas históricas brasileiras, mas hoje enfrenta uma crise de representatividade por causa de seu atrelamento ao governo federal e por causa do centralismo de sua gestão”, critica Adriele, filiada ao PT e integrante de um movimento chamado “Reconquistar a UNE”.

As eleições também são motivo de reclamação por parte do estudante Yuri Pires Rodrigues, 26 anos, aluno do curso de letras da Universidade de São Paulo. Filiado ao Partido Comunista Revolucionário (PCR), que tem forte presença no meio estudantil, ele afirma que na última disputa a data das eleições foi antecipada pela direção da UNE para dificultar a formação de chapas. “As eleições tradicionalmente são na segunda quinzena de julho, mas com a desculpa da Copa das Confederações elas foram adiantadas para o fim de maio, atrapalhando a eleição de delegados pelas chapas de oposição”, afirma Yuri, primeiro vice-presidente na atual gestão.

Segundo ele, a mudança do calendário foi votada em uma reunião da entidade, mas antes do resultado a direção já tinha confeccionado panfletos com a nova data. Para Yuri, a única forma de se contrapor ao poder do PCdoB seria a união em uma só chapa de todos os campos de oposição. “A gente até conseguiu superar algumas divergências e se unir na última disputa, por isso mesmo aumentamos nosso espaço na direção, mas ainda não foi suficiente”, destaca.

A disputa entre o campo de esquerda, segundo ele, tem enfraquecido a entidade e aberto brecha para partidos conservadores ocuparem espaços importantes dentro do movimento estudantil, principalmente nos diretórios centrais. “O que queremos é que a UNE faça mais enfrentamento para garantir conquistas para os estudantes. Não pode o governo federal dizer sim e a UNE, sim, senhor”, defende.

Questionada sobre a hegemonia do PCdoB no comando da UNE, Virgínia Barros afirmou, em entrevista por e-mail, que quem elege “a diretoria da UNE não é a força política A ou B, mas os estudantes” e que a entidade “não pertence, nem é comandada por nenhum partido e, sim, pelo conjunto dos estudantes universitários brasileiros”. Segundo ela, a atual diretoria reúne estudantes de diversos partidos e também sem filiação partidária. Em relação ao processo eleitoral, a presidente disse considerá-lo “o mais democrático entre o conjunto das entidades do movimento social brasileiro”. O regimento, de acordo com ela, é formulado e aprovado em um fórum da UNE composto por centenas de diretórios centrais dos estudantes, executivas de curso e uniões estaduais dos estudantes.

Fonte em.com.br
Autora Alessandra Mello

quinta-feira, 18 de julho de 2013

REFORMA POLÍTICA SIM; TRANSGÊNICO, NÃO!

A presidente Dilma Rousseff discursava no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Marcante em sua intervenção era a defesa do plebiscito pela reforma política. Poucas horas antes, um deputado de seu partido, Cândido Vaccarezza (SP), candudatava-se a coveiro da consulta popular e decretava que nenhuma mudança seria válida antes de 2016 ou 2018.

O parlamentar paulista, coordenador do grupo de trabalho sobre sistema eleitoral, não afrontou apenas a convocação da chefe de Estado. Violou abertamente resolução da própria agremiação a que pertence desde sua fundação.

Indicado para a função atual pelo presidente da Câmara dos Deputados, o peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN), Vaccarezza atua como um franco-atirador e se associa aos setores mais conservadores do parlamento. Nunca escondeu que, em termos gerais, é um apoiador das regras atuais do jogo político-eleitoral.

Está no seu direito ter as posições que bem entender e escolher as companhias que preferir. O mal maior que sua atitude produz é contribuir para a desmoralização dos partidos políticos, prato tão ao gosto do reacionarismo pátrio.

Ao formar na troika contra o plebiscito e a reforma política, ladeado por Alves e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o deputado constrange o PT.

O Partido dos Trabalhadores sempre foi muito cioso de sua disciplina interna, ciente que não há outro caminho para a disputa programática, o combate pela direção do Estado e a construção de hegemonia político-ideológica na sociedade.

Pode um parlamentar do mesmo partido fazer o serviço dos que buscam travar a proposta da presidente em um momento de crise aguda? É cabível um deputado rasgar a orientação de sua agremiação e se compor com os que querem derrotá-la?

Nós abaixo-assinados nos dirigimos ao diretório nacional do PT, para que feche questão em torno da consulta popular, da Constituinte e da reforma política. Esse é o instrumento necessário para que sejam impostas as devidas sanções a quem resolve fazer carreira solo.

O PT deveria ser capaz de convencer seus parlamentares a andarem na linha. Ou oferecer a porta da rua como serventia da casa.

Página13 julho 2013 nº 122

Documentário “1964 – Um golpe contra o Brasil” (2013), de Alipio Freire




“1964 – Um golpe contra o Brasil” (2013), de Alipio Freire. Aborda o período entre 1960 (eleição do presidente Jânio Quadros e do vice João Goulart), e a posse do marechal Humberto de Alencar Castello Branco em 15 de abril de 1965. O filme trata dos programas em disputa, dos interesses de classe em jogo, e da conspiração.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Valter Pomar fala sobre a Reforma Política

Propostas do PT para a Reforma Política




Reforma Política - Financiamento Público




Reforma Política - Voto em lista




Reforma Política - Coligações Partidárias




Reforma Política - Constituinte Exclusiva




Reforma Política - Democratização do sistema eleitoral

Próximos seminários regionais do PT/RN

Calendário dos Seminários:

Dia 27/07/2013 - Mato Grande/Litoral Norte, o seminário será realizado na cidade de Pureza, inicio previsto as 9h00 da manhã.

Dia 04/08/2013 - Médio Oeste, ainda não foi definido a cidade, mais será Caraúbas ou Janduís, inicio previsto as 9h00 da manhã.

Dia 10/08/2013 – Litoral Agreste, o seminário será na cidade de Santo Antônio, inicio previsto as 14h00 da tarde.

Dia 17/08/2013 – Polo Potengi, o seminário será na cidade de São Paulo do Potengi, inicio previsto as 14h00 da tarde.

Dias 30 e 31 de Agosto será o Seminário Estadual em Natal.